Carta ao irmão Tiago
Bem querido irmão Tiago,
Este escrito não faz parte do meu principal blog, mas quero registrá-lo aqui no Jornal do Peregrino. O propósito deste espaço é simples: guardar como memorial a maneira como a Palavra de Deus tem falado comigo ao longo dos dias e como o Senhor tem conduzido nossas conversas e experiências na caminhada cristã. Quero que seja um diário espiritual que me recorda de onde o Senhor me tirou, onde Ele me coloca e para onde ainda me conduz.
Na semana passada escrevi sobre a pregação de domingo, depois de conversar com o irmão Brandão. Hoje quero escrever sobre a nossa conversa desta manhã. Você disse que está lendo Eclesiastes, e isso me alegrou muito. Então já deve ter lido quando o livro declara:
“Há tempo para todo propósito debaixo do céu” (Eclesiastes 3:1).
Isso mostra que a vida não é um acaso. Deus é soberano sobre cada estação da nossa história. Mesmo aquilo que parece confuso ou pesado está dentro do tempo perfeito que Ele governa.
O livro de Eclesiastes nos conduz a refletir sobre a busca pelo sentido da vida (1:1–11). Ele revela que todo esforço humano debaixo do sol é passageiro e incapaz de satisfazer plenamente. Salomão prova isso em várias áreas:
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Sabedoria humana: “Apliquei o coração a buscar e investigar com sabedoria tudo o que acontece debaixo do céu… Descobri que isso também é correr atrás do vento” (1:13–14).
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Prazeres e riquezas: “Disse comigo: ‘Vou experimentar o prazer, descobrir as coisas boas da vida!’ Mas vi que isso também não fazia sentido” (2:1).
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Trabalho e conquistas: “Cheguei a odiar todo o meu trabalho debaixo do sol, pois terei de deixá-lo para quem vier depois de mim” (2:18).
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A brevidade da vida: “Pois tanto do sábio quanto do tolo não haverá lembrança duradoura; nos dias futuros todos serão esquecidos. Como morre o sábio, assim morre o tolo” (2:16).
Ao final, o Pregador conclui com clareza:
“Aqui termina o meu relato. Este é o resumo: tema a Deus e obedeça a seus mandamentos, pois esse é o dever de todo ser humano. Pois Deus trará a julgamento tudo que fizermos, até mesmo o que mantivermos em segredo, seja bom, seja mau.” (Eclesiastes 12:13–14, NVT).
👉 A vida só encontra sentido quando vivida em obediência a Deus.
👉 O temor do Senhor dá peso eterno a tudo o que parece “vaidade”.
E o que isso tem a ver com a situação que vocês estão vivendo? Tudo. Pois creio categoricamente que até isso tem a mão de Deus. Nunca se esqueça: o inimigo sempre tentará nos afastar daquilo que é excelente e nos prender àquilo que Salomão chamou de vaidade.
Por isso, a sua resposta deve ser exatamente o que tem aprendido em Eclesiastes: viver uma vida temente ao Senhor, com humildade, buscando resolver cada situação de maneira prática e piedosa. Assim, não deixe que orgulho, tristeza ou ressentimentos atrapalhem.
Quando for conversar com a irmã que lidera a classe, vá junto com Olga, em espírito de mansidão. Evite mensagens por escrito; sente-se com ela pessoalmente. Exponha com clareza que as quartas-feiras são de grande valor para os filhos de vocês e também para vocês como família. O material pode estar disponível online, mas a comunhão, o ensino mútuo e os relacionamentos que se formam nesses encontros são insubstituíveis.
Se for apenas um mal-entendido, creio que a conversa franca resolverá. Mas, se houver atitudes persistentes que não combinam com o cristianismo — como julgamentos precipitados ou posturas inflexíveis —, será necessário levar a questão adiante e conversar com a liderança. Oro para que não seja preciso chegar a esse ponto, mas que o primeiro encontro já traga paz, reconciliação e clareza.
Tiago, não jogue essa situação debaixo do tapete. Lembre-se: somos peregrinos, e cada vez que obedecemos ao Senhor, crescemos. Este jornal é para registrar exatamente essas etapas da caminhada. Oro em nome de Jesus para que o Senhor guie você e sua família nesse processo, e que dessa situação surjam frutos de paz e de temor ao Seu nome.
Com carinho em Cristo,
Seu irmão peregrino,
Leo

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