Meu Jornal de Libertação – Escravo de Deus, depois apóstolo
Hoje registro aqui algo muito especial. Tivemos o primeiro Café dos Homens em nossa igreja, um encontro que deve continuar por alguns meses. Para mim, esse blog funciona como um “jornal de libertação”: um espaço onde guardo os momentos que não quero esquecer, aquelas ocasiões em que a Palavra, uma circunstância ou até mesmo uma conversa mexem fundo no meu espírito. Quero deixar aqui essas marcas espirituais, como memórias vivas que me lembram de quem sou em Cristo e para onde estou indo.
No café da manhã de hoje começamos a estudar a carta de Tito. Logo na abertura, uma frase me prendeu de forma especial. Paulo se apresenta assim:
“Eu, Paulo, escravo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, escrevo esta carta. Fui enviado para fortalecer a fé daqueles que Deus escolheu e para ensinar-lhes a verdade que mostra como viver uma vida de devoção.” (Tito 1:1, NVT)
E eu fiquei pensando: por que Paulo não começa exaltando sua autoridade apostólica? Ele poderia dizer logo de cara: “sou apóstolo”. Mas, antes de tudo, ele se apresenta como “escravo de Deus”. Só depois ele se identifica como “apóstolo de Jesus Cristo”. Essa ordem não é por acaso.
1. Primeiro, escravo
Na cultura romana, o escravo era o mais baixo da sociedade. Não tinha direitos, não vivia para si, não escolhia seus próprios caminhos. Pertencia totalmente ao seu senhor.
Paulo escolhe essa palavra de propósito para mostrar sua identidade diante de Deus. Antes de qualquer título, função ou reconhecimento, ele era servo absoluto do Senhor.
Isso me confronta. Quantas vezes eu quero servir, liderar ou ser útil, mas não me lembro que a base de tudo é rendição total? O Reino não começa no púlpito, mas no joelho dobrado.
2. O título nasce da submissão
Se Paulo tivesse dito apenas “apóstolo”, poderia soar como vanglória. Mas ao colocar “escravo” primeiro, ele mostra que sua autoridade não vinha de si mesmo, mas da submissão a Deus.
A ordem é clara:
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Primeiro: escravo de Deus → dependência.
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Depois: apóstolo de Cristo → missão.
Isso fala muito comigo: antes de receber tarefas, preciso ter o coração moldado. Antes de liderar, preciso aprender a obedecer. Antes de ser enviado, preciso ser conquistado por Deus.
3. Aplicação pessoal
Enquanto ouvia e refletia, percebi que esse ensino não é apenas para Paulo, mas para mim também.
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Antes de eu ser pregador, preciso ser escravo.
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Antes de eu discipular alguém, preciso ser escravo.
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Antes de eu assumir qualquer liderança, preciso ser escravo.
O chamado que Deus coloca diante de mim só tem firmeza quando nasce de um coração já rendido. O que sustenta não é a função, mas a convicção: “eu pertenço ao Senhor.”
Conclusão
Um dia, todos os títulos vão perder o valor diante do trono de Cristo. Não fará diferença se fui chamado pastor, líder ou qualquer outra coisa. O que realmente importará é se eu fui servo fiel.
E eu quero guardar aqui, neste meu jornal, esse lembrete: a maior recompensa não é o reconhecimento humano, mas ouvir a voz do Senhor dizendo:
“Muito bem, meu servo bom e fiel. Você foi fiel no pouco; eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor!” (Mateus 25:21, NVT)
Que esse registro me acompanhe como um marco: sou, antes de tudo, escravo de Deus. Só assim posso ser útil em qualquer missão. E minha maior alegria será, um dia, ouvir: “entra no gozo do teu Senhor.”

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